Paradoxo Ambulante
Eu sinto sono quando chove, e quando falam de amor também. Meu pesadelo é se um dia chover amor, pra onde é que eu vou correr? Não tenho nada contra quem ama, eu só não me sinto muito confortável com a idéia de passar um domingo inteiro colando os pedaços do meu coração, enquanto o mundo lá fora ta gritando “é gol!”. Se um dia chover amor, espero que anunciem na previsão do jornal, pra eu não sair de casa. Amor adoece, enfraquece e deixa a gente com gosto de remédio amargo na boca, e amargo só mesmo o café depois dos meus porres. Porre de noitada café forte ajuda, agora porre de amor nem receita de avó dá jeito. Já vi gente se embriagar de pinga, fazer o número quatro e ainda ir pra casa dirigindo, agora quem se embriagou de amor eu vi pular da ponte. Eu sinto sono quando chove porque os relâmpagos são bonitos, e raio nunca cai no mesmo lugar, agora amor cai todos os dias sobre a mesma pessoa se ele quiser. Isso não te dá medo? Não os raios, digo do amor? Em mim dá. Imagine só, ser atingido por um raio e no minuto seguinte estar conversando com São Pedro sobre as previsões do tempo. Imagine ser atingido por amor e passar o resto da vida morrendo aos poucos, sem gostar nem de sol nem de chuva, ver tudo meio cinza. Loucura mesmo é colocar o coração nas mãos de outra pessoa. Sabe o que eu faço com as coisas que estão na minha mão quando estou distraído? Eu jogo fora, e nem sinto falta. Por isso quando chove eu sinto sono, pra não sentir saudade de quando eu gostava de sol ou de chuva, e não via tudo assim, meio cinza. Quando chove eu chovo.
Ciceero M.  (via oxigenio-dapalavra)
Estranho é você acordar todos os dias com vontade de mudar a sua vida, e acaba fazendo a mesma merda de sempre.
E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativas frustradas tentou até amar… Pois bem, não conseguiu, e aqui está.
Dom Casmurro.